Correr é bom. Mas conseguir parar, é fundamental. Você sabe desacelerar?
Em 31/05/2011, às 05:41:25
Imagine-se guiando seu veículo tranquilamente pela estrada: você está a uma velocidade considerável, acima dos 100 km/h mas dentro do limite da via, está de cinto de segurança e fez a recomendada revisão pré-vigem. O que poderia dar errado?
Provavelmente nada, mas talvez, subitamente, atravesse o seu caminho um corpo estranho que por conta da rapidez dos acontecimentos você nem mesmo é capaz de reconhecer o que é. Um cavalo? Um pedestre? Uma moto? Não importa, não há tempo para reconhecimentos, a situação exige uma atitude rápida, você automaticamente pisa fundo no freio e as rodas imediatamente travam. Com isso a frenagem fica comprometida, sua velocidade não diminui o suficiente e você perde o controle do veículo, deslocando-se numa direção completamente fora do desejado, tornando o acidente inevitável.
Trágico, não? Ainda bem que numa historinha inventada dessas, existe a opção de você passar milagrosamente a milímetros do objeto assustador não identificado, retomando a direção logo em seguida, se safando por pouco e seguindo viajem tranquilamente.
Na vida real, o mais comum é o condutor descobrir de forma trágica que reduzir rapidamente a velocidade enquanto muda de direção para fazer uma curva ou desviar de um obstáculo não é tarefa simples: facilmente aplica-se força excessiva e as rodas travam. E rodas travadas não combinam com dirigibilidade. Essa é uma tarefa para freios incrementados com ABS – Antilock Braking System, um sistema que não permite o travamento das rodas, por mais força que seja aplicada no pedal de freio. Assim, na situação descrita acima, haveria boas e reais condições de se evitar a colisão. Segurança sem depender de milagres. É pura tecnologia.

O ABS surgiu como equipamento para aeronaves, na década de 50, para evitar que elas derrapassem durante a frenagem da aterrissagem. Esse sistema, diferente do que é utilizado hoje, era totalmente mecânico. Modelos de ABS mecânico foram utilizados em automóveis como o Jaguar MK, em 1959, e no modelo esportivo Jensen FF, em 1966. Mas somente na década de 70 o ABS ganhou uma versão eletrônica, implantada primeiramente no modelo Chrysler Imperial, em 1971, nos Estados Unidos. Em 1978, o aparelho passa a ser produzido em série pala empresa alemã Bosch.

Jaguar MK
No sistema mecânico, um engenhoso mecanismo impedia que toda força aplicada no pedal de freio travasse as rodas. No sistema eletrônico, são sensores colocados junto às rodas que têm a função de captar e transmitir sinais elétricos (com informações sobre velocidade do veículo, rotação das rodas etc.) durante a operação de frenagem. A leitura dessas informações se transforma em comandos para um sistema hidráulico que regula a pressão de frenagem em cada roda, para evitar o travamento.

Chrysler Imperial
Com a ação do ABS os pneus mantém a aderência à superfície durante a desaceleração, o que é fundamental para a dirigibilidade. Se as rodas travarem, o pneu desliza sobre a superfície, apesar do atrito. O veículo para, mas, nem sempre antes do obstáculo. É o seguinte: ao contrário do que possa parecer, o espaço mais curto para o veículo parar é obtido quando as rodas giram diminuindo sua rotação, no limite da aderência, não quando elas travam.

Jensen FF
No caso de superfícies molhadas, a situação é bem pior: com a roda travada, o pneu tende a “subir” na lâmina de água e, aí sim, a perda do controle é total. É o que se chama de aquaplanagem. Nesses casos, o ABS é um excelente recurso de segurança.
Também durante as curvas, o ABS pode proporcionar grande eficiência na dirigibilidade. Além do ganho em segurança, ainda há a vantagem de se evitar desgaste irregular dos pneus por conta de freadas bruscas.
Por oferecer todas essas vantagens, essa tecnologia é um grande instrumento para a segurança de todos os participantes do trânsito e deveria ser exigida por todos os compradores de carros novos. Infelizmente, o consumidor brasileiro não valoriza muito esse recurso e, por ignorar sua importância, não exige dos fabricantes, que insistem em tratar essa tecnologia como acessória. Menos mal, que o CONTRAN já publicou uma Resolução que obriga a instalação do ABS em todos os carros novos até 2014.
Ao compreender a utilidade e o funcionamento do ABS, fica claro que: tão importante quanto saber desacelerar e parar, é saber como desacelerar e parar. Para saber mais sobre ABS, ver vídeos e fotos sobre o assunto (e também se divertir um pouco) clique aqui.
Referências:
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Comentários
Por Thiag Menezes - Limeira, em 09/06/2011 20:35:58:
Mas os carros que o Brasil exporta para o México saem daqui com abs. ABS de absurdo! Parece que nosso país é tão aebnçoado que até a física daqui é diferene. Demorô hein CONTRAN!
Por Jeancarlo, Videira/SC, em 13/06/2011 20:54:22:
Quem j'ausou carro com ABS sabe que o acessório é fundamental para a segurança. Devia vir em todos os carros.
Por Sérgio Noronha Ramos, Belo Horizonte, em 28/06/2011 15:26:35:
Sempre pensei que abs e airbag fossem coisas sem importância, só pra dexar o carro mais caro. Puxa! Estou impressionado, acho agora que todos os carros deveriam ter esses equipamentos.
Por Liberto Fause Júnior - professor, em 18/07/2011 17:24:13:
ABS deveria ser obrigatório em todos os veículos que já estejam em circulação. É o fim quando existe uma tecnologia consagrada que não está à disposição dos usuários por interesses pouco defensáveis.











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